domingo, 30 de setembro de 2007

LEVIATHAN



Emergindo imponente mostrando as presas, criatura do mar negro.
Mostre força e coragem.
Mas no instante que seja desacreditado pereceras.
Suas fraquezas expostas, lendas sendo narradas a pobres crianças.
Lamuria inaudível forjada de desgosto.
Dragando estações frias e momentos prósperos.
Fostes reais e hoje há apenas a sombra da amargura de outrem.
Perdida cria escute os sábios.
Se prontifique a mudar, renasça!
Ambicione oceanos maiores, deixe os leitos do rio velho para os que não tem capacidade de locomoção.
Mostre-se figura bíblica, não abrande como distinta criatura.
Seja lembrada por sua pureza e não pelo seu fim escuso.
Mesmo que demore séculos.

“Debaixo de nós nada mais se via senão uma tempestade negra, até que, olhando para oriente, entre as nuvens e as vagas, divisamos uma cascata de sangue misturado com fogo, e próximo de nós emergiu e afundou-se de novo o vulto escamoso de uma serpente volumosa. Por fim, a três graus de distância, na direção do oriente, apareceu sobre as ondas uma crista incendiada: lentamente elevou-se como um recife de ouro, até avistarmos dois globos de fogo carmesim, dos quais o mar se escapa em nuvens de fumo. Vimos então que se tratava da cabeça do Leviathan; a sua fronte, tal como a do tigre, era sulcada por listras de verde e púrpura. Em breve vimos à boca e as guelras pendendo sobre a espuma enfurecida, tingindo o negro abismo com raios de sangue, avançando para nós com toda a fúria de uma existência espiritual.”


William Blake (1757-1827)

Projeto: O leigo e o poeta.

2 comentários:

Nayara Garófalo disse...

Nossa, arrasou na mitologia.

Você escreve muito bem e arrasa nas referências...

Bem se vê que não é humano.

Anônimo disse...

"...deixe os leitos do rio velho para os que n�o tem capacidade de locomo�o".

Acho que �s vezes � bom eu (e todos que pensam) reler essa frase.

Que orgulho do meu amigo!