sexta-feira, 14 de setembro de 2007

QUIMERA

Posso voar, rugir e correr.
Sou mitológico, crença e medo.
Plano em céus de vísceras, todas minhas.
Recolho homens feridos, destruo lares.
Manso, afável, distante.

Contorno feito a nankin, da juba a cauda.
Inimigo imaginário das crianças crescidas.
Faço sombra, mergulho fundo e acho seu raso.
Monstro voraz, siga-me.
Confronte a besta do outro lado do Egeu.

Diga a todos seus valores. Não deixe dúvida de sua existência.
Beleza cravada em rocha, movida a musica, desperdiçada.
Peço que me levem, que me façam escutar a canção, força bela das espumas.
Separe minha metade mulher.
Devore o homem que nunca o viu do jeito certo.
Faça-o voltar para o ninho.

Quimera seja monstro apenas para abutres.
Seja macho para outro macho.
Dentes tortos para um ser frágil.
Manto para o indefeso.
Mal necessário.

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