sexta-feira, 21 de setembro de 2007

ADEUS BOLOR

Nada, não quero nada. Sempre deixei claras as minhas vontades.
Esperam que aplauda o "serviço de quarto”.
Vivo em cárcere, moro num colchão velho e ainda tenho uma abertura na parede que chamo de Teve. Geralmente só passam gatos, deve ser algum deposito de lixo ou ferro velho. Guardam comida recém capturada, sinto o cheiro característico.
E insistem em me alimentar. Acostumei-me com o cheiro, mas a visão ainda me enoja. A comida passa dias na porta esperando ser tocada... E adoro ver criaturas crescendo sobre ela.
Micro organismos são solidários em momentos como esses. Mantendo guarda à noite, fazendo dormir com o aroma adocicado que exalam. Jamais poderia come-los, onde fica a gratidão? São eles que afrouxam a corda.
Quero encontra-los na passagem, já está se aproximando.
Só queria ver a cara de meus carrascos assim que me for.
Adeus gatos e frestas. Adeus bolor.

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