Raro exemplar exposto.Parte escura do homem mostrada aos juízes.
Que a pena seja dada ao réu.
Mas qual crime sentencia-lo?
Traição?
Mentira?
Solidão?
No copo mostro a minha culpa.
Visível a troca de saudade por amargura.
Que pedaços antigos sejam jogados aos delatores.
Deles saíram a minha pena.
Monstro esquecido, amaldiçoado e perfurado.
Pela corja cinza do mestre vermelho.
E de meu corpo só sobrou a orelha.
A única parte com função bendita.
Ouvir dos outros a tristeza alheia.
Me faço cego e mudo.
Não toco, não inalo, nem acaricio.
Não chuto, não ando, não piso.
Não falo, não grito, não canto.
Escuto.
Cego, mudo e burro.

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