quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Kiss The Rain.


Quando chove sempre me dá vontade de jogar bola, ir a praia.
Sentir a areia quente queimando meus pés enquanto dou pulinhos idiotas até o mar. Entrar direto na água, sem se preocupar com a temperatura fria.
Quero soltar pipa e brincar de esconde-esconde.
Correr e machucar o dedão do pé.
Procurar alguma árvore e comer as frutas.
Da vontade de procurar alguns desafetos e pedir desculpa.
Procurar algum amor antigo e dizer que hoje eu não sinto mais nada, que antes você era meu mundo.
Pular em poças d’água. Chutar lama.
Fazer bolinha de sabão na janela.
Deixar uma libélula entrar no quarto para poder amarrar uma linha e fazer dela meu bichinho de estimação.
Criar coragem pra trocar a lâmpada ou pintar as paredes.
Talvez "I'm only happy when it rains".
Peço sempre: "Rain. Wash away my sorrow. Take away my pain."
Mas me pergunto:
"Why does it always rain on me?
Is it because I lied when I was seventeen?
Why does it always rain on me?
Even when the sun is shining
I can't avoid the lightning
I can't stand myself"
E concluo:
"Raindrops keep fallin' on my head
And just like the guy whose feet are too big for his bed
Nothin' seems to fit
Raindrops keep fallin' on my head"
A chuva me faz pensar que não sou tão descartável como acho.
Mas assim como a chuva passa isso também deixa de existir.

domingo, 6 de janeiro de 2008

MAL EXPLICADO

Nada, não tinha nada na geladeira pra comer. E isso as 3:45 da manhã pode gerar muitos problemas pra alguém solitário como eu. Coloquei um casaco por cima do pijama e sai assim mesmo, calça e chinelo. Dá uma sensação ótima andar e mostrar os pés durante a madrugada, cria certos medos e desses medos excitações.

Apertei o botão do térreo no elevador e agarrei a grade que mantém o elevador seguro. Imagino alguém por trás.

Hall deserto, o porteiro não está.
Foi mais por desespero de não ficar sozinho que desci, achei que iria pelo menos encontrar alguma alma sorrateira, vagando pelos corredores da garagem. E ouço vozes.

Ouço pedidos, gemidos.

Depois das 4:00 aqui se abre um vortex.
Sempre com destino aleatório, hoje por coincidência algo que corte a monotonia que está acontecendo.
Acompanho as paredes com as mãos abertas, sentindo os veios da tinta velha descascando.

E silêncio, foi tudo o que ouvi.
Silêncio zunindo forte nos ouvidos mal lavados.
Traz segurança, assim nada entra e se acomoda.

Nada, nada no prédio a ser visto, ouvido, extraído, curado.

Agarro os canos do teto, esgoto correndo... Contendo mistérios internos, humanos digerem e pedem a buracos que levem suas vergonhas pra longe.
Encosto o rosto nos canos quentes, deve ser calor natural dos dejetos.
Confortante.

Desço ao chão e procuro com a língua pneus alheios, percorro estradas em suas estrias.
Tudo isso por que não tinha comida na geladeira.
Diversão noturna primordial.

Não conheço o caminho de volta, mas procuro o rastro e me perco ainda mais.
Esperar a luz da manhã será a única solução, e não é novidade despertar e não reconhecer o lugar dormido.

Só quero acalanto.
Quero colo.

Quero.