terça-feira, 4 de setembro de 2007

TISSUE


Que apodreça.

Tenha o mesmo fim que tive pra você.
Faça sua vida retroceder. Mantenha enterrada a razão.
Siga molestando menores. Busque, cerque, prenda.
Segure forte seu braço e grite que não o quer mais.
Destrua lembranças, porem os pedaços devem ser guardados.

Meta medo, repreenda, diga os erros, anotes os defeitos... E os envie junto a uma foto.
Mostre sombras, rachaduras, cicatrizes, calos.
Abra sua derme, expondo veias, ossos e medos.
Atire pedras, quebre espelhos, cole cacos e diga que foi presente.

Afaste sua face, morda, arranque pedaço. Cuspa na minha cara, me chame, rasgue.
Se sobrar algo meu junte, quem sabe outro não costure.
Quero fios resistentes, arremates corretos, acabamento simples.
Antes, criava coragem e costurava. Hoje cego, não vejo agulhas, não sinto a linha.
Por isso tenho retalhos no lugar do coração.
Sobras de família, de amigos, do seu passado, das suas neuroses.

Brinquedo de pano velho jogado fora.

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