segunda-feira, 3 de setembro de 2007

LETTER


Algum dia já acordei feliz?

Por isso deixo essa carta, to cansado. Minha voz não se propaga, eu a escuto mas sei que não irá atingir os tímpanos certos. E gritando, sinto minhas cordas vocais sendo extirpadas por mãos maiores que a minha boca. Faço delas minhas letras, minha saliva dissolve o sangue que forma a tinta.
Os presentes já foram queimados junto com as fotos e roupas. Sabia que planos também entram em combustão facilmente?

Somos dizimados repetidamente, não adianta se agarrar em pernas alheias. Você terá a mesma visão de desgraça que eu sempre sonho. Dia após dia.
A mesma musica tocando, o mesmo rosto derretido, a mesma sensação de vazio. Dia após dia.
O cheiro de fuligem, as marcas de desespero, a sujeira. Noite após dias.

Se estivéssemos tendo o mesmo distúrbio, poderíamos pular juntos dessa janela. Ou quem sabe acender o forno?
Quer brincar de Virgina Woolf?

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