quinta-feira, 10 de setembro de 2009

RETICÊNCIAS...


É brilho de alvitre.
Veja na abóbada celeste, sua alcunha estrela dissimula a força da visão.
É luz e dolo.
Algo que não existe, apenas fantasma luminoso.
Faz refletir que sentir saudades parece quimera.
Será que existe tal sentimento, será que algo tão doloroso não seja embuste para a dor de não ter alguém?
Pontinhos brancos no firmamento ou inúmeras reticências?

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

PÍLULA


Das saudades e sumiços...
Das lutas sem presença.
Do vento célere em corredores lisos, sem entraves.
E aguardo seu contato.

domingo, 30 de agosto de 2009

LOBOS, SAPOS E CERCAS...


Sua saudade tem gosto de cigarro tragado.
E como não rememorar algo que pulveriza o ar, traz memória em forma de grafite.
Faz buraco, recheia veias.
E de longe toma conta do rebanho.
Mas cego que sou, creio que há somente uma ovelha.
Doutrinado a amparar carneirinhos, seu lobo.
E a noite coloca nomes em bocas de sapos.
Faz mandinga antiga, ensinada nas beiras de estradas dos sertões...
Ou a beira mar...

Sapos cozidos no suor do ato amor.
Lobos tosados.
Cercas lisas, sem farpas.

E mesmo assim acredita que haverá fuga?!

quarta-feira, 8 de julho de 2009

DEPÓSITO


Já careci daquilo que me atrelava.
Paixões avulsas que colecionava.
Delas criava órgãos de vôo, respirava carbono.
E fuligem avivava meus olhos e cabelo.
Meu tubo digestor calcinado.
Deposito dos amantes.
Reto, boca e peito.
Língua suja, dentes amarelos,
Pelos suados, orelhas úmidas,
Axilas acidas, virilha embolorada.
Pés calejados.
Tudo sublimado pelo ardor cego.
A fenda candente que serve como lenitivo.
O que é desamparado por vocês. O que me foi alocado a saturar.
Capacidade parva de sentir afeição, essa ocorrência de idolatria.
Absorver sêmen, paredes e vazio.
Fundo arranhado pelo raciocínio.
Logicamente confrontado pelo músculo.
Dilacerando os cálices de alguém sem amor próprio.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

O SER MENOR


Sou sempre o ser menor que a adentra ambientes pelas frestas.
Vapores que sobem ao teto e que desaparecem sem vestígios
O amor que você tinha nas mãos e que nunca guardou no peito.

Faço parte da historia que se rasgou, do filme que queimou
Fui mais feliz quando acreditava que fazia bem para as suas horas.
Aquele mágico que podia tirar coelhos de cartolas e não o homem que nunca soube dizer que amava outro.
Assim foi pelos anos que se passaram, eu sempre esperando que mais e mais coelhos saíssem e enchesse meu quarto. Que me esmagassem, sufocassem o ser menor que entra por suas frestas. Liquefaça os vapores, que chova dentro do seu peito, para que possa me agarrar em seu amor.