quinta-feira, 30 de abril de 2009

ORFEU TE GUIE...


Existem cais, as rotas de fuga... Os ventos.
A razão para navegar, as ondas... As velas.
Espuma, oceano... Arquipélagos.
Mas como Andrômeda, fluxos anteparam meu corpo de seguir viagem.
Possuo a chave que me solta das correntes, e ainda me permito recusar a alvedrio.
Prefiro virar estátua de sal, sempre olho para trás.
Escolho ser devorado por gaivotas, exijo o labirinto da besta.
Não carrego escudo Ateniense, nem mesmo lanças.
Sou virgem nascida para o sacrifício.
Sou e me recolho ao acaso, das estrelas foi retirada minha vontade.
E que assim seja.
Sucumbir ao fardo fato de amar. De recolher a bondade ausente. Ignorar os sinais dos oráculos e sempre se atrelar ao cálice que já se esvaiu como azeite alastrado no pó.
A figura de um Jasão vencedor trazendo o velo de ouro não se atem a minha existência. Estou mais para a ida de Perséfone ao inferno, recebendo conforto nos braços de Hades.
Quem sabe um dia não cunho as estações do ano, nas qual posso abster de coexistir na invernia das lembranças.
Meu cerne ainda hoje é vigiado por Cérbero. E no Aqueronte só navega um barco.
Orfeu que te guie.
Salve-me.

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