terça-feira, 25 de março de 2008

SONG TO SAY GOODBYE


Hoje foi dia pra lembrar do meu pai. Fui deitar e passou um clipe que nem assisto tanto, até porque mexe numa parte que não faço questão que seja lembrada...

Dia dezenove de maio faz dois anos que ele faleceu, mas hoje em dia nem me recordo tanto dele, quase esqueço o seu rosto. E como isso me afetou tanto, não acho que esteja errado em apaga-lo da minha memória, pelo menos temporariamente...

Agora mesmo, foi a confirmação de algo que vivo me perguntando: Será que um dia eu consigo esquecer meu pai? A resposta: Não...

São com poucas coisas que acabo me entregando e lembro do pai que mesmo não sendo amoroso e não sendo o pai que eu imaginava, ainda consegue ser tão presente. Tive que crescer e enxergar o ser humano que existia escondido sobre a capa do papai. E como isso foi necessário pra que eu pudesse compreender esse homem!

Hoje vi uma caixa com lenços de bolso que eram usados no tempo dele. E um dos poucos conselhos que ele me deu foi que todo rapaz deve andar com um lenço e um pente no bolso. Tão engraçado como essa frase continua soando exatamente igual quando ele a pronunciou...

Então pra encerrar, o clipe que eu mencionei no começo do post, que não necessariamente diz sobre a minha situação mas as imagens conseguem explicar como eu me sentia em relação à doença que ele tinha e os cuidados que precisava.



You are one of God's mistakes.
You crying, tragic waste of skin.
I'm well aware of how it aches,
And you still won't let me in.

Now I'm breaking down your door,
To try and save your swollen face.
No, I don't like you anymore
You lying, trying waste of space.

My oh my.
A song to say goodbye,
A song to say goodbye,
A song to say...
Before our innocence was lost
You were always one of those

Blessed with lucky 7s,
And a voice that made me cry.
My oh my...

You are mother nature's son.
Someone to whom my could relate.
Your needle and your damage done,
Remains a sorted twist of fate.

Now I'm trying to wake you up,
To pull you from the liquid sky.
Cause if I don't we'll both end up
With just your song to say goodbye.


My oh my.
A song to say goodbye,
A song to say goodbye,
A song to say...
Before our innocence was lost
You were always one of those
Blessed with lucky 7s,
And a voice that made me cry.

It's a song to say goodbye.
It's a song to say goodbye.
It's a song to say goodbye.
It's a song to say goodbye.
It's a song to say goodbye !!!
It's a song to say goodbye.
It's a song to say goodbye !!!
It's a song to say goodbye.

sexta-feira, 7 de março de 2008

SAUDADE BOLOR.

(Bruce Nauman, Helman Gallery Parallelogram, 1971)

Sinto falta da falta que sentia.
Fazia tudo ser mais tranquilo. Era exposto, real.
Só ficou saudade bolorenta que incomoda pelo cheiro antigo.
O pior é ver o bolor crescer e não ter força para impedi-lo.
Ou não saber se quero que realmente pare de crescer.

Ótimo acordar e não enxergar sempre o mesmo rosto.
Mas sinto falta da falta.
Mas quem se importa?
Quero de volta.

Não mereço e nem sou merecido, mas quero o que já foi meu.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Kiss The Rain.


Quando chove sempre me dá vontade de jogar bola, ir a praia.
Sentir a areia quente queimando meus pés enquanto dou pulinhos idiotas até o mar. Entrar direto na água, sem se preocupar com a temperatura fria.
Quero soltar pipa e brincar de esconde-esconde.
Correr e machucar o dedão do pé.
Procurar alguma árvore e comer as frutas.
Da vontade de procurar alguns desafetos e pedir desculpa.
Procurar algum amor antigo e dizer que hoje eu não sinto mais nada, que antes você era meu mundo.
Pular em poças d’água. Chutar lama.
Fazer bolinha de sabão na janela.
Deixar uma libélula entrar no quarto para poder amarrar uma linha e fazer dela meu bichinho de estimação.
Criar coragem pra trocar a lâmpada ou pintar as paredes.
Talvez "I'm only happy when it rains".
Peço sempre: "Rain. Wash away my sorrow. Take away my pain."
Mas me pergunto:
"Why does it always rain on me?
Is it because I lied when I was seventeen?
Why does it always rain on me?
Even when the sun is shining
I can't avoid the lightning
I can't stand myself"
E concluo:
"Raindrops keep fallin' on my head
And just like the guy whose feet are too big for his bed
Nothin' seems to fit
Raindrops keep fallin' on my head"
A chuva me faz pensar que não sou tão descartável como acho.
Mas assim como a chuva passa isso também deixa de existir.

domingo, 6 de janeiro de 2008

MAL EXPLICADO

Nada, não tinha nada na geladeira pra comer. E isso as 3:45 da manhã pode gerar muitos problemas pra alguém solitário como eu. Coloquei um casaco por cima do pijama e sai assim mesmo, calça e chinelo. Dá uma sensação ótima andar e mostrar os pés durante a madrugada, cria certos medos e desses medos excitações.

Apertei o botão do térreo no elevador e agarrei a grade que mantém o elevador seguro. Imagino alguém por trás.

Hall deserto, o porteiro não está.
Foi mais por desespero de não ficar sozinho que desci, achei que iria pelo menos encontrar alguma alma sorrateira, vagando pelos corredores da garagem. E ouço vozes.

Ouço pedidos, gemidos.

Depois das 4:00 aqui se abre um vortex.
Sempre com destino aleatório, hoje por coincidência algo que corte a monotonia que está acontecendo.
Acompanho as paredes com as mãos abertas, sentindo os veios da tinta velha descascando.

E silêncio, foi tudo o que ouvi.
Silêncio zunindo forte nos ouvidos mal lavados.
Traz segurança, assim nada entra e se acomoda.

Nada, nada no prédio a ser visto, ouvido, extraído, curado.

Agarro os canos do teto, esgoto correndo... Contendo mistérios internos, humanos digerem e pedem a buracos que levem suas vergonhas pra longe.
Encosto o rosto nos canos quentes, deve ser calor natural dos dejetos.
Confortante.

Desço ao chão e procuro com a língua pneus alheios, percorro estradas em suas estrias.
Tudo isso por que não tinha comida na geladeira.
Diversão noturna primordial.

Não conheço o caminho de volta, mas procuro o rastro e me perco ainda mais.
Esperar a luz da manhã será a única solução, e não é novidade despertar e não reconhecer o lugar dormido.

Só quero acalanto.
Quero colo.

Quero.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

CONTO DO TRISTE


Foi ontem que acordei e não vi mais suas roupas no chão.
E me dei conta da falta que faz.
O copo com água na mesa de cabeceira estava vazio, pelo menos a consideração de esvazia-lo você teve.
Seria menos uma lembrança pra me atormentar, deve ter imaginado.
Mas sinto cheiro de café...
Estranho, será do apartamento do lado?
Levanto do leito buscando o ar, usando as vias naturais pra isso...
Arranco tubos que estão conectados ao desconhecido...
E olho pro lado, vejo um aparelho curioso.
Faz aqueles barulhinhos repetitivos e irritantes, fazendo "pííí" continuamente.
Exijo explicações.
Cadê as roupas?
E o copo?
Por que o cheiro de café persiste em exalar forte?
Depois de varias horas após o despertar, descubro que a causa do meu "sono" foi não saber lidar com sua partida.
Tão real quanto aquele momento antes do acordar.
Vejo uma sombra familiar, reconheço seu formato...
Porém isso foi escondido por meus olhos e o sedativo aplicado.
Quem sabe nas próximas horas alem de sombras, vejo luzes.