Nada, não tinha nada na geladeira pra comer. E isso as 3:45 da manhã pode gerar muitos problemas pra alguém solitário como eu. Coloquei um casaco por cima do pijama e sai assim mesmo, calça e chinelo. Dá uma sensação ótima andar e mostrar os pés durante a madrugada, cria certos medos e desses medos excitações.
Apertei o botão do térreo no elevador e agarrei a grade que mantém o elevador seguro. Imagino alguém por trás.
Hall deserto, o porteiro não está.
Foi mais por desespero de não ficar sozinho que desci, achei que iria pelo menos encontrar alguma alma sorrateira, vagando pelos corredores da garagem. E ouço vozes.
Ouço pedidos, gemidos.
Depois das 4:00 aqui se abre um vortex.
Sempre com destino aleatório, hoje por coincidência algo que corte a monotonia que está acontecendo.
Acompanho as paredes com as mãos abertas, sentindo os veios da tinta velha descascando.
E silêncio, foi tudo o que ouvi.
Silêncio zunindo forte nos ouvidos mal lavados.
Traz segurança, assim nada entra e se acomoda.
Nada, nada no prédio a ser visto, ouvido, extraído, curado.
Agarro os canos do teto, esgoto correndo... Contendo mistérios internos, humanos digerem e pedem a buracos que levem suas vergonhas pra longe.
Encosto o rosto nos canos quentes, deve ser calor natural dos dejetos.
Confortante.
Desço ao chão e procuro com a língua pneus alheios, percorro estradas em suas estrias.
Tudo isso por que não tinha comida na geladeira.
Diversão noturna primordial.
Não conheço o caminho de volta, mas procuro o rastro e me perco ainda mais.
Esperar a luz da manhã será a única solução, e não é novidade despertar e não reconhecer o lugar dormido.
Só quero acalanto.
Quero colo.
Apertei o botão do térreo no elevador e agarrei a grade que mantém o elevador seguro. Imagino alguém por trás.
Hall deserto, o porteiro não está.
Foi mais por desespero de não ficar sozinho que desci, achei que iria pelo menos encontrar alguma alma sorrateira, vagando pelos corredores da garagem. E ouço vozes.
Ouço pedidos, gemidos.
Depois das 4:00 aqui se abre um vortex.
Sempre com destino aleatório, hoje por coincidência algo que corte a monotonia que está acontecendo.
Acompanho as paredes com as mãos abertas, sentindo os veios da tinta velha descascando.
E silêncio, foi tudo o que ouvi.
Silêncio zunindo forte nos ouvidos mal lavados.
Traz segurança, assim nada entra e se acomoda.
Nada, nada no prédio a ser visto, ouvido, extraído, curado.
Agarro os canos do teto, esgoto correndo... Contendo mistérios internos, humanos digerem e pedem a buracos que levem suas vergonhas pra longe.
Encosto o rosto nos canos quentes, deve ser calor natural dos dejetos.
Confortante.
Desço ao chão e procuro com a língua pneus alheios, percorro estradas em suas estrias.
Tudo isso por que não tinha comida na geladeira.
Diversão noturna primordial.
Não conheço o caminho de volta, mas procuro o rastro e me perco ainda mais.
Esperar a luz da manhã será a única solução, e não é novidade despertar e não reconhecer o lugar dormido.
Só quero acalanto.
Quero colo.
Quero.
