
Com essas luzes amarelas, postes de iluminação, todas as cidades se fundem. Uma grande cidade, não importando o país. E essa igualdade urbana quebra-se no momento em que o motorista desliga as luzes internas do onibus, não vendo o reflexo semi-transparente de alguém que não sou. T. Amos cantando ao meu ouvido, praticamente sentada no mesmo banco. Voz e igualdade, cidades iguais, sentimentos iguais. Com outros nomes, mas pertencendo ao mesmo vortex.
Nada disso faz sentido,parece xícaras de chá em pires dissonantes ao conjunto comprado.
Só quem co-existe no meu corpo compreende. E nem mesmo eu tem acesso a isso.
É muito vago, mas realmente concreto. É gostar e não entender. Lendo algo que não se encaixa na situação encontrei algo que diz mais sobre tudo do que poderia colocar aqui.
"Precisamente o agradável é que nenhum de nós tenha dito nada e que, no entanto, nos compreendemos um ao outro só com essa muda linguagem dos olhares. Hoje disse-me mais claramente do que nunca o que sente. E fe-lô de um modo tão agradável, tão simples e sobretudo tão confiado! Até me deu a sensação de que sou uma pessoa melhor, mais pura. Dou-me conta de que tenho coração e que há em mim muitas coisas boas."
Vronski pensando em Kitty.
Trecho de "Ana Karênina" de Leon Tolstói
A. pensando em H.

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